INTRODUÇÃO DO TRADUTOR
Nessa conversa com o Politburo do PCUS-B, participou a delegação do Comitê Central do PCCh, dirigida pelo camarada Liu Shaoqi e Gao Gang. Durante esta reunião, a delegação apresentou diversos informes sobre a situação político-militar e econômica da China.
O camarada Stálin manifesta neste texto sua surpresa diante da postura de completa submissão dos comunistas chineses às decisões soviéticas. Essa postura, entretanto, decorria das orientações de Mao Zedong e estava expressa no Informe de 4 de julho de 1949, proferido ao Comitê Central do PCUS-B pela delegação do Comitê Central do PCCh. Segundo o documento, sobre a questão das relações entre o PCUS-B e o PCCh, o camarada Mao Zedong e o Comitê Central do PCCh consideravam o seguinte:
“O PCUS-B constitui o quartel-general do Movimento Comunista Internacional (MCI), enquanto o PCCh representa apenas um de seus batalhões em uma de suas frentes de batalha. Os interesses da parte devem se subordinar aos interesses internacionais e, por isso, o PCCh se submete às decisões do PCUS-B, embora a Comintern já não exista e o PCCh não faça parte do Cominform.”
Enquanto lia o Informe do PCCh, o camarada Stálin escreveu a anotação “NÃO!” em letras garrafais ao lado de um grifo do parágrafo acima.
“Caso surjam divergências entre o PCCh e o PCUS-B a respeito de determinadas questões, o PCCh apresentará seu ponto de vista, mas se submeterá resolutamente às decisões do PCUS-B e as executará resolutamente.”
Monossilábico, mais um curto garrafal “NÃO!” aparece nas anotações do camarada Stálin.
“Consideramos necessário estabelecer os vínculos mútuos mais estreitos possíveis entre os dois Partidos e promover o intercâmbio de dirigentes políticos responsáveis, a fim de resolver as questões de interesse comum e alcançar uma compreensão mútua mais profunda entre nossos partidos. [...] Desejamos que o Comitê Central do PCUS-B e o camarada Stálin, de maneira permanente e sem qualquer constrangimento, nos deem suas orientações e critiquem o trabalho e a política do PCCh.”
Aqui, ao contrário das anteriores, o camarada Stálin escreveu a anotação “SIM!”.
A seguir, prossegue a orientação do camarada Stálin à delegação chinesa conforme registrado por Ivan Vladimirovich Kovalev em taquigrafia, então Conselheiro-Chefe dos Especialistas Militares Soviéticos na China para o Comitê Central do PCCh.
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A delegação chinesa declarou que o Partido Comunista da China se submeterá às decisões do Partido Comunista da União Soviética. Isso, no entanto, é estranho para nós. O partido à frente de um Estado se submeter ao partido de outro Estado — isso nunca aconteceu e é inadmissível tal proposta.
Os dois partidos devem responder e prestar contas perante — e somente — seus próprios povos. Podemos nos consultar mutuamente sobre determinadas questões, nos ajudar um ao outro e, quando surgirem dificuldades, estreitar ainda mais nossa unidade. Isso sim está correto. A reunião do Politburo de hoje, por exemplo, realizada com a participação de vocês, constituiu uma das formas de ligação entre nossos partidos. É assim que deve ser.
Agradecemos muito essa demonstração de respeito. Contudo, algumas ideias que expressamos não devem ser tomadas como ordens ou instruções de cima para baixo. Podemos dizer que são, no máximo, uma espécie de conselho fraternal. E isso não apenas em palavras, mas também na prática.
Podemos aconselhá-los, mas não dar ordens. Não conhecemos suficientemente a situação da China e não podemos nos comparar a vocês quanto ao conhecimento dos detalhes dessa realidade específica. Acima de tudo, não podemos dar ordens porque os assuntos chineses devem ser decididos inteiramente por vocês, chineses. Não podemos decidi-los em seu lugar.
Vocês precisam compreender a importância da posição que ocupam e o caráter histórico — até hoje sem precedentes — da missão que lhes foi confiada pelo povo chinês. E isso não é, de modo algum, um elogio. Apenas demonstra a enorme responsabilidade que pesa sobre vocês e a dimensão histórica de sua missão.
É necessário que nossos dois partidos troquem opiniões. Contudo, nossa opinião não deve, em hipótese alguma, ser tomada como uma ordem. Os partidos comunistas dos demais países podem, com tranquilidade, rejeitar nossas propostas. E nós, naturalmente, também podemos discordar das propostas apresentadas pelos partidos comunistas de outros países.